April 11th, 2009

Uma noite na cidade grande.

A noite caira. A escuridão é como um véu delicado porém intransponível. O caminho de casa encontra-se estendido à sua frente como se não houve outras possibilidades. Seus passos curtos e rápidos a guiavam pela via única como sempre fizeram. Mas há qualquer coisa diferente na noite. Está tudo silencioso demais. O ar parecia denso, fazendo com que cada passo fosse mais lento que o anterior. As ruas da cidade estavam vazias. Os feixes de luz que vinham do alto dos postes pareciam estar escorrendo até o chão, como se a luz fosse líquida. Está frio. Os prédios altos e antigos assomavam a sua volta cercando-a. Tinha uma sensação de finitude. Como se não houvesse nada além do limite da sua visão. Ela gostava desta sensação. Dava-lhe segurança.

De alguma janela bem acima da sua cabeça vinha uma melodia lúgubre. Parecia um saxofone. Devia estar animando a noite solitária de alguém com suas notas lentas, quase arrastadas, suaves e penetrantes. Era como se a música estivesse realmente viva e possuísse um corpo. Um corpo belo, sinuoso, transbordando volúpia e levando ao êxtase aquele que a tocava, que a acariciava. Ela foi, aos poucos, ficando para trás, se esvaindo lentamente da sua consciência, até que se extinguiu por completo.

O silêncio agora pesava. A escuridão parecia a envolver em braços frios e a acalentar. Sentia sono e cansaço. Ainda não havia visto nenhuma pessoa. Ninguém parecia estar acordado, ou até mesmo vivo, a não ser ela, o músico e sua música, e a cada passo que dava, mais uma nuance da cidade era desvelada, mas seus olhos não viam muito longe, porém isso não a preocupava. Preocupava-se apenas em continuar em seu caminho, qualquer um, queria apenas continuar.

Então, passo após passo, o seu caminho se desvelou à sua frente. Através de ruas e becos, transpondo toda a realidade fria e dura da cidade de concreto, as sombras, o vazio, vagando entre o visível e o invisível, até que em algum ponto da sua caminhada, seus passos eram levados, como se seus pés estivessem agora decidindo o rumo. Uma porta numa grande parede insossa, uma escadaria, um corredor longo com mais portas. Em uma delas, ela ouviu alguma coisa. Era um sinal. Alguém estava se movendo ali dentro. Ela parou por um instante pela porta. Podia ouvir uma suave melodia, quase inaudível. Era uma valsa. Escutou por mais um breve momento, até que percebeu que a valsa embalava uma dança solitária. Podia ouvir passos percorrendo o chão de madeira velha do apartamento.

Continuou pelo corredor até que entrou por uma porta. Uma porta como todas as outras que levava a um quarto pequeno e frio como o resto da cidade. A sensação de finitude ainda estava com ela, isso a mantinha tranqüila, mas algo ainda a inquietava. Acendeu as luzes para espantar a escuridão líquida que parecia seguir ela. A lâmpada do quarto emitiu raios que lentamente empurraram as sombras para fora, e essas por sua vez, escorreram pelas paredes do prédio como se estivessem em uma fuga vagarosa. O quarto estava livre da escuridão. Dirigiu-se à janela e vislumbrou a cidade que percorrera durante a noite. Teve a impressão de o dia estava nascendo. Alcançou uma garrafa velha de conhaque que estava numa prateleira perto da janela e se serviu de uma dose. Puxou uma cadeira e sentou-se. Bebeu um gole curto e manteve os olhos fechados enquanto sentia o líquido descer-lhe a garganta e gradualmente espantar o frio que a encolhia, então serviu-se de mais uma dose e observou os prédios, duros e imponentes, as janelas, o horizonte, o silêncio, então adormeceu sozinha, vencida pelo cansaço e pelo conhaque, embalada pelo saxofone e pela valsa, apaziguada pela cidade e pelo dia que nasceu cinza.

Posted by caiorohr at 12:45 AM | 2 Comment

February 17th, 2009

O meu problema...

Esses dias comecei a pensar sobre mim mesmo, e rever a minha forma de lidar com as pessoas e suas atitudes.

Tem uma coisa muito legal em mim. Isso pode soar presunçoso, mas acho que é verdade: eu sempre estou aberto para as pessoas, sempre tento ver o que a pessoa viu quando fez o que fez, o que quer que seja isso. Se a pessoa enganou, se a pessoa traiu, se alguém fez algo que eu não faria, se matou alguém, eu tento enxergar o que, para a pessoa, justificou sua ação, aquilo que serviu de motivo para ela. Eu normalmente consigo fazer isso, tanto que durante toda a minha vida, eu acabava como mediador de situações de disputa e sempre tinha algo pertinente e construtivo para dizer ou fazer... eu gosto disso. Ser racional sempre que algo que mobiliza muito alguém acontece, para não cometer injustiças. Mesmo quando eu mesmo acabo me mobilizando, mesmo quando eu fico puto da vida com algo ou alguém, eu tento ver o que fez aquela pessoa fazer o que fez. Para entender os seus motivos... isso é justificativa suficiente para mim. Isso não é algo que eu faço, é algo que acontece em mim, como se fosse natural, se distanciar das coisas para conseguir enxergar tudo o que cerca o acontecido.

O problema é que sou humano.

Uma inconsistência das teorias humanista-fenomenológica. Eu pelo menos uma incompatibilidade minha com tal.

Impossível não ter nenhuma reação emocional a algo que mexa muito comigo. Pelo menos para mim é impossível. Por isso, os sentimentos, os ódios, os rancores, as discordâncias, os desconfortos, os ciumes, os medos, as vontades de matar, as vontades de ofender, as vontades de gritar na cara, até o ódio que sinto daqueles que são impetuosos, que agem por instinto ou baseado nas vontades e sentimentos, eu guardo para mim. Tudo guardadinho em segredo. As vezes esqueço que eles estão aqui dentro, as vezes as outras pessoas se esquecem que além de pensar em tudo, eu também sinto, por isso se surpreendem quando digo, com fogo nos olhos, que daria um tiro em alguém.

Eu esqueço, mas eles não se esquecem, e como uma panela de pressão, buscam uma saída.

Minha sombra.

Chega um momento em que eu preciso de tempo. Acho que chegou. Preciso de tempo, preciso elaborar, dar conta disso. Quero estar sozinho, quero ficar calado, quero distância para não ferir ninguém... está tudo à flor da pele.

Tão à flor da pele...

Posted by caiorohr at 11:09 PM | 1 Comment

September 10th, 2008

O Pequeno Príncipe, Capítulo XXI

Quando eu era criança minha mãe mandou eu ler esse livro. Eu não o fiz.

Quando eu estava na escola a professora mandou ler esse livro. Eu não o fiz

Mas lembro claramente deste trecho... me chamou bastante atenção.

 

E foi então que apareceu a raposa:

- Boa dia, disse a raposa.

- Bom dia, respondeu polidamente o principezinho, que se voltou, mas não viu nada.

- Eu estou aqui, disse a voz, debaixo da macieira...

- Quem és tu? perguntou o principezinho. Tu és bem bonita...

- Sou uma raposa, disse a raposa.

- Vem brincar comigo, propôs o principezinho. Estou tão triste...

- Eu não posso brincar contigo, disse a raposa. não me cativaram ainda.

- Ah! desculpa, disse o principezinho.

Após uma reflexão, acrescentou:

- Que quer dizer "cativar"?

- Tu não és daqui, disse a raposa. Que procuras?

- Procuro os homens, disse o principezinho. Que quer dizer "cativar"?

- Os homens, disse a raposa, têm fuzis e caçam. É bem incômodo! Criam galinhas também. É a única coisa interessante que fazem. Tu procuras galinhas?

- Não, disse o principezinho. Eu procuro amigos. Que quer dizer "cativar"?

- É uma coisa muito esquecida, disse a raposa. Significa "criar laços..."

- Criar laços?

- Exatamente, disse a raposa. Tu não és para mim senão um garoto inteiramente igual a cem mil outros garotos. E eu não tenho necessidade de ti. E tu não tens também necessidade de mim. Não passo a teus olhos de uma raposa igual a cem mil outras raposas. Mas, se tu me cativas, nós teremos necessidade um do outro. Serás para mim único no mundo. E eu serei para ti única no mundo...

- Começo a compreender, disse o principezinho. Existe uma flor... eu creio que ela me cativou...

- É possível, disse a raposa. Vê-se tanta coisa na Terra...

- Oh! não foi na Terra, disse o principezinho.

A raposa pareceu intrigada:

- Num outro planeta?

- Sim.

- Há caçadores nesse planeta?

- Não.

- Que bom! E galinhas?

- Também não.

- Nada é perfeito, suspirou a raposa.

Mas a raposa voltou à sua idéia.

- Minha vida é monótona. Eu caço as galinhas e os homens me caçam. Todas as galinhas se parecem e todos os homens se parecem também. E por isso eu me aborreço um pouco. Mas se tu me cativas, minha vida será como que cheia de sol. Conhecerei um barulho de passos que será diferente dos outros. Os outros passos me fazem entrar debaixo da terra.

O teu me chamará para fora da toca, como se fosse música. E depois, olha! Vês, lá longe, os campos de trigo? Eu não como pão. O trigo para mim é inútil. Os campos de trigo não me lembram coisa alguma. E isso é triste! Mas tu tens cabelos cor de ouro. Então será maravilhoso quando me tiveres cativado. O trigo, que é dourado, fará lembrar-me de ti. E eu amarei o barulho do vento no trigo...

A raposa calou-se e considerou por muito tempo o príncipe:

- Por favor... cativa-me! disse ela.

- Bem quisera, disse o principezinho, mas eu não tenho muito tempo. Tenho amigos a descobrir e muitas coisas a conhecer.

- A gente só conhece bem as coisas que cativou, disse a raposa. Os homens não têm mais tempo de conhecer alguma coisa. Compram tudo prontinho nas lojas. Mas como não existem lojas de amigos, os homens não têm mais amigos. Se tu queres um amigo, cativa-me!

- Que é preciso fazer? perguntou o principezinho.

- É preciso ser paciente, respondeu a raposa. Tu te sentarás primeiro um pouco longe de mim, assim, na relva. Eu te olharei com o canto do olho e tu não dirás nada. A linguagem é uma fonte de mal-entendidos. Mas, cada dia, te sentarás mais perto...

No dia seguinte o principezinho voltou.

- Teria sido melhor voltares à mesma hora, disse a raposa. Se tu vens, por exemplo, às quatro da tarde, desde as três eu começarei a ser feliz. Quanto mais a hora for chegando, mais eu me sentirei feliz. Às quatro horas, então, estarei inquieta e agitada: descobrirei o preço da felicidade! Mas se tu vens a qualquer momento, nunca saberei a hora de preparar o coração... É preciso ritos.

- Que é um rito? perguntou o principezinho.

- É uma coisa muito esquecida também, disse a raposa. É o que faz com que um dia seja diferente dos outros dias; uma hora, das outras horas. Os meus caçadores, por exemplo, possuem um rito. Dançam na quinta-feira com as moças da aldeia. A quinta-feira então é o dia maravilhoso! Vou passear até a vinha. Se os caçadores dançassem qualquer dia, os dias seriam todos iguais, e eu não teria férias!

Assim o principezinho cativou a raposa. Mas, quando chegou a hora da partida, a raposa disse:

- Ah! Eu vou chorar.

- A culpa é tua, disse o principezinho, eu não queria te fazer mal; mas tu quiseste que eu te cativasse...

- Quis, disse a raposa.

- Mas tu vais chorar! disse o principezinho.

- Vou, disse a raposa.

- Então, não sais lucrando nada!

- Eu lucro, disse a raposa, por causa da cor do trigo.

Depois ela acrescentou:

- Vai rever as rosas. Tu compreenderás que a tua é a única no mundo. Tu voltarás para me dizer adeus, e eu te farei presente de um segredo.

Foi o principezinho rever as rosas:

- Vós não sois absolutamente iguais à minha rosa, vós não sois nada ainda. Ninguém ainda vos cativou, nem cativastes a ninguém. Sois como era a minha raposa. Era uma raposa igual a cem mil outras. Mas eu fiz dela um amigo. Ela á agora única no mundo.

E as rosas estavam desapontadas.

- Sois belas, mas vazias, disse ele ainda. Não se pode morrer por vós. Minha rosa, sem dúvida um transeunte qualquer pensaria que se parece convosco. Ela sozinha é, porém, mais importante que vós todas, pois foi a ela que eu reguei. Foi a ela que pus sob a redoma. Foi a ela que abriguei com o pára-vento. Foi dela que eu matei as larvas (exceto duas ou três por causa das borboletas). Foi a ela que eu escutei queixar-se ou gabar-se, ou mesmo calar-se algumas vezes. É a minha rosa.

E voltou, então, à raposa:

- Adeus, disse ele...

- Adeus, disse a raposa. Eis o meu segredo. É muito simples: só se vê bem com o coração. O essencial é invisível para os olhos.

- O essencial é invisível para os olhos, repetiu o principezinho, a fim de se lembrar.

- Foi o tempo que perdeste com tua rosa que fez tua rosa tão importante.

- Foi o tempo que eu perdi com a minha rosa... repetiu o principezinho, a fim de se lembrar.

- Os homens esqueceram essa verdade, disse a raposa. Mas tu não a deves esquecer. Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas. Tu és responsável pela rosa...

- Eu sou responsável pela minha rosa... repetiu o principezinho, a fim de se lembrar.

 

Eu sei que é infantil, mas tá valendo.

Posted by caiorohr at 07:53 PM | 2 Comment

August 29th, 2008

Uma das dores humanas

Expectativa



s. f.,
esperança baseada em supostos direitos, probabilidades ou promessas;
esperança;
probabilidade;
expectação.

O pior é que somos escravos dela.

Uma vez, ao iniciar um relacionamento, um amigo me perguntou "e aí, como vocês estão?". Eu, apaixonado como estava, respondi "estamos ótimos, mas sabe qual a melhor coisa a respeito disso? eu não crio nenhuma expectativa quanto às atitudes e decisões que ela toma, apenas gosto dela do jeito que ela se apresenta pra mim".

Mentira.

Como se uma coisa dessas fosse humanamente possível.

Seria tão legal... evitaria tantos transtornos.

Eu não sei o que pensar dos monges, dos gurus, do homens santos que conseguem abrir mão de tudo e não sofrer dessas coisas. Não os admiro, pois é humano passar por isso que passamos, e abrir mão disso é, também, abrir mão de quase todos os sentimentos humanos. Simplesmente não se pode escolher um sentimento específico e descarta-lo... tem que jogar o pacote todo fora.

No entanto também não sinto pena deles.

Mentira.

Eu sinto. É humano criar opiniões e se colocar de um lado ou do outro. Mesmo que isso seja errado.

Quem sou eu para julgar o ser humano?

Enquanto isso, eu, junto com todos os outros e com todos aqueles que escondem isso, sofro minhas dores humanas.

Posted by caiorohr at 04:39 PM | 1 Comment

August 22nd, 2008

Uma experiência e um ponto de vista

Alguns anos atrás, provavelmente no verão de 2003, meus pais alugaram, pelo período de um verão, uma casa em Guarajuba. A família inteira se mudou para lá, diversos amigos e cada um de nós tinha o direito de convidar alguém para passar algum tempo conosco. A casa era muito grande.

Obviamente eu chamei a pessoa que chamava de namorada, na época.

Praia, churrasco, piscina, restaurantes... a rotina era agradável.

E foi nesse lugar que eu vivi uma experiência que sempre esteve muito fresca na minha memória... eu sempre lembrava dela, mas não fazia nenhuma relação com coisa alguma, nem nunca via nenhum significado naquilo.

A experiência foi a seguinte:


Um dia, não sei por que diabos, minha namorada brigou comigo... ela nunca parecia ter um motivo para brigar comigo, mas o fazia... muito bem, vou me ater simplesmente ao que me marcou. Não foi a briga, não foram as paragens nas quais me encontrava. Foi o que fiz.

Como disse antes, não lembro o motivo da briga, por tanto fica difícil dizer o que tinha em mente quando decidi fazer o que fiz. E o que fiz foi o seguinte: eu saí pra dar uma volta...

Saí pra andar até que o momento de voltar surgisse.

Rumei então para a praia. Não sei porque a praia. Poderia ter ido em direção à vila (se é que aquilo pode ser chamado de vila)... podia ter feito qualquer coisa, mas decidir andar na praia e seguir ao norte.

Lembro que desci do passeio de madeira e pisei na areia. Assim que o fiz, tirei meus chinelos e senti a areia fria entre os meus dedos. Era de noite. A lua estava na sua fase crescente, algumas estrelas a salpicar o céu, o barulho suave das ondas como se elas massageassem a areia diante de mim.

Comecei a andar, e seguindo meu caminho eu percebi os barcos dos pescadores repousando na areia, as barracas fechadas, sem movimento algum, muito diferente de como as conhecia, vi as plantas, que mesmo no escuro pareciam verdejantes e vivas, como se o brilho da lua e das estrelas as fizessem mais belas, os coqueiros, o barulho do vento e das aves que viviam por ali. Não lembro de ter cruzado com alguém. Lembro que segui a linha da praia que fazia muitas curvas. Molhava meus pés aqui e ali e em certo momento, resolvi me sentar e observar o movimento que o mar, pobremente iluminado pela lua e estrelas, fazia.

Fiquei ali algum tempo. Acho que nesse momento alguém passou por mim. Caminhando na direção da qual eu estava vindo. Como estava sentado e virado para o mar, não vi quem passou ali. Pode ter sido qualquer um, que pode ter pensado qualquer coisa ao ver alguém sentado perto do mar, as 22:00 de um dia qualquer da semana.

Então me levantei e rumei mais ainda ao norte e tudo que se passava na minha cabeça eram as coisas que eu via, ouvia e cheirava naquele instante. Então um pensamento me veio à cabeça. Algo que eu não esperava, algo me fazia lembrar das pessoas que havia deixado para trás, estariam elas preocupadas com o meu sumisso? o que elas faziam na minha ausência? o que elas faziam com a minha ausência?

Resolvi voltar.

As plantas não estavam mais tão bonitas e as aves pareciam estar gritando, xingando ou chorando. A noite ficou fria.

Quando cheguei à casa, encontrei minha namorada sentada à varanda conversando com meu irmão. Quando ela me viu, veio falar comigo fria como a noite.

- Aonde você estava?

- Tava andando pela praia, porque?

- Nada. Você sumiu a quase três horas atrás e não avisou ninguém. As pessoas estão preocupadas contigo. Ah, tem mais uma coisa: minha mãe está vindo me buscar.

- Porque?

- Eu não quero mais ficar aqui. Se for pra você fazer isso toda vez que brigarmos, prefiro ir embora. Agora te pergunto, o que você estava fazendo na praia?

- Nada, estava andado.

- Pensando em nada?

- Não. É diferente. Não estava pensando em nada. Simplesmente não estava pesando. Não havia nada na minha cabeça. Apenas estava ali, andando e vendo as coisas.

- Pensei que você tivesse saído para pensar sobre nossa briga.

- Esse é o nosso problema, pensamos demais. Saí para tentar fugir disso, e no momento que um pensamento invadiu minha mente, percebi que era o momento de voltar, pois percebi que não consegui me livrar dessa nossa necessidade.

 

Isso realmente aconteceu. Me lembro nitidamente dessas coisas que descrevi.

Sinto falta de fazer isso as vezes. De andar, andar, andar, andar... até o momento de voltar. Sem nada na cabeça.

Hoje tentei fazer isso. Dirigi vagarosamente por aí, mas todas as vias que entrava me levava para casa. Era o único lugar aonde eu não queria estar, mas de alguma forma era o único lugar que eu conseguia ir.

Acho que não consegui tirar tudo da cabeça hoje.

Posted by caiorohr at 12:18 AM | 1 Comment
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