September 10th, 2008
O Pequeno Príncipe, Capítulo XXI
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Quando eu era criança minha mãe mandou eu ler esse livro. Eu não o fiz.
Quando eu estava na escola a professora mandou ler esse livro. Eu não o fiz
Mas lembro claramente deste trecho... me chamou bastante atenção.
E foi então que apareceu a raposa:
- Boa dia, disse a raposa.
- Bom dia, respondeu polidamente o
principezinho, que se voltou, mas não viu nada.
- Eu estou aqui, disse a voz, debaixo da
macieira...
- Quem és tu? perguntou o principezinho. Tu
és bem bonita...
- Sou uma raposa, disse a raposa.
- Vem brincar comigo, propôs o principezinho.
Estou tão triste...
- Eu não posso brincar contigo, disse a
raposa. não me cativaram ainda.
- Ah! desculpa, disse o principezinho.
Após uma reflexão, acrescentou:
- Que quer dizer "cativar"?
- Tu não és daqui, disse a raposa. Que
procuras?
- Procuro os homens, disse o principezinho.
Que quer dizer "cativar"?
- Os homens, disse a raposa, têm fuzis e
caçam. É bem incômodo! Criam galinhas também. É a única coisa interessante que
fazem. Tu procuras galinhas?
- Não, disse o principezinho. Eu procuro
amigos. Que quer dizer "cativar"?
- É uma coisa muito esquecida, disse a
raposa. Significa "criar laços..."
- Criar laços?
- Exatamente, disse a raposa. Tu não és para
mim senão um garoto inteiramente igual a cem mil outros garotos. E eu não tenho
necessidade de ti. E tu não tens também necessidade de mim. Não passo a teus
olhos de uma raposa igual a cem mil outras raposas. Mas, se tu me cativas, nós
teremos necessidade um do outro. Serás para mim único no mundo. E eu serei para
ti única no mundo...
- Começo a compreender, disse o
principezinho. Existe uma flor... eu creio que ela me cativou...
- É possível, disse a raposa. Vê-se tanta
coisa na Terra...
- Oh! não foi na Terra, disse o
principezinho.
A raposa pareceu intrigada:
- Num outro planeta?
- Sim.
- Há caçadores nesse planeta?
- Não.
- Que bom! E galinhas?
- Também não.
- Nada é perfeito, suspirou a raposa.
Mas a raposa voltou à sua idéia.
- Minha vida é monótona. Eu caço as galinhas
e os homens me caçam. Todas as galinhas se parecem e todos os homens se parecem
também. E por isso eu me aborreço um pouco. Mas se tu me cativas, minha vida
será como que cheia de sol. Conhecerei um barulho de passos que será diferente
dos outros. Os outros passos me fazem entrar debaixo da terra.
O teu me chamará para fora da toca, como se
fosse música. E depois, olha! Vês, lá longe, os campos de trigo? Eu não como
pão. O trigo para mim é inútil. Os campos de trigo não me lembram coisa alguma.
E isso é triste! Mas tu tens cabelos cor de ouro. Então será maravilhoso quando
me tiveres cativado. O trigo, que é dourado, fará lembrar-me de ti. E eu amarei
o barulho do vento no trigo...
A raposa calou-se e considerou por muito
tempo o príncipe:
- Por favor... cativa-me! disse ela.
- Bem quisera, disse o principezinho, mas eu
não tenho muito tempo. Tenho amigos a descobrir e muitas coisas a conhecer.
- A gente só conhece bem as coisas que
cativou, disse a raposa. Os homens não têm mais tempo de conhecer alguma coisa.
Compram tudo prontinho nas lojas. Mas como não existem lojas de amigos, os
homens não têm mais amigos. Se tu queres um amigo, cativa-me!
- Que é preciso fazer? perguntou o
principezinho.
- É preciso ser paciente, respondeu a raposa.
Tu te sentarás primeiro um pouco longe de mim, assim, na relva. Eu te olharei
com o canto do olho e tu não dirás nada. A linguagem é uma fonte de
mal-entendidos. Mas, cada dia, te sentarás mais perto...
No dia seguinte o principezinho voltou.
- Teria sido melhor voltares à mesma hora,
disse a raposa. Se tu vens, por exemplo, às quatro da tarde, desde as três eu
começarei a ser feliz. Quanto mais a hora for chegando, mais eu me sentirei
feliz. Às quatro horas, então, estarei inquieta e agitada: descobrirei o preço
da felicidade! Mas se tu vens a qualquer momento, nunca saberei a hora de preparar
o coração... É preciso ritos.
- Que é um rito? perguntou o principezinho.
- É uma coisa muito esquecida também, disse a
raposa. É o que faz com que um dia seja diferente dos outros dias; uma hora,
das outras horas. Os meus caçadores, por exemplo, possuem um rito. Dançam na
quinta-feira com as moças da aldeia. A quinta-feira então é o dia maravilhoso!
Vou passear até a vinha. Se os caçadores dançassem qualquer dia, os dias seriam
todos iguais, e eu não teria férias!
Assim o principezinho cativou a raposa. Mas,
quando chegou a hora da partida, a raposa disse:
- Ah! Eu vou chorar.
- A culpa é tua, disse o principezinho, eu
não queria te fazer mal; mas tu quiseste que eu te cativasse...
- Quis, disse a raposa.
- Mas tu vais chorar! disse o principezinho.
- Vou, disse a raposa.
- Então, não sais lucrando nada!
- Eu lucro, disse a raposa, por causa da cor
do trigo.
Depois ela acrescentou:
- Vai rever as rosas. Tu compreenderás que a
tua é a única no mundo. Tu voltarás para me dizer adeus, e eu te farei presente
de um segredo.
Foi o principezinho rever as rosas:
- Vós não sois absolutamente iguais à minha
rosa, vós não sois nada ainda. Ninguém ainda vos cativou, nem cativastes a
ninguém. Sois como era a minha raposa. Era uma raposa igual a cem mil outras.
Mas eu fiz dela um amigo. Ela á agora única no mundo.
E as rosas estavam desapontadas.
- Sois belas, mas vazias, disse ele ainda.
Não se pode morrer por vós. Minha rosa, sem dúvida um transeunte qualquer
pensaria que se parece convosco. Ela sozinha é, porém, mais importante que vós
todas, pois foi a ela que eu reguei. Foi a ela que pus sob a redoma. Foi a ela
que abriguei com o pára-vento. Foi dela que eu matei as larvas (exceto duas ou
três por causa das borboletas). Foi a ela que eu escutei queixar-se ou
gabar-se, ou mesmo calar-se algumas vezes. É a minha rosa.
E voltou, então, à raposa:
- Adeus, disse ele...
- Adeus, disse a raposa. Eis o meu segredo. É
muito simples: só se vê bem com o coração. O essencial é invisível para os
olhos.
- O essencial é invisível para os olhos,
repetiu o principezinho, a fim de se lembrar.
- Foi o tempo que perdeste com tua rosa que
fez tua rosa tão importante.
- Foi o tempo que eu perdi com a minha
rosa... repetiu o principezinho, a fim de se lembrar.
- Os homens esqueceram essa verdade, disse a
raposa. Mas tu não a deves esquecer. Tu te tornas eternamente responsável por
aquilo que cativas. Tu és responsável pela rosa...
- Eu sou responsável pela minha rosa...
repetiu o principezinho, a fim de se lembrar.
Eu sei que é infantil, mas tá valendo.
Lídia (guest)

Só uma pessoa como vc tem consciência das responsabilidades que vc adquire quando rouba o coração de alguém.
Te amo.
Júlia (guest)
(não que eu concorde com toda a filosofia do pequeno príncipe, mas não tiro de forma alguma seu grande valor)